bikenauta

Fevereiro 11 2013

Ontem, 10/02/2013, fizemos a Travessia dos Tropeiros entre Serra Negra e Maromba. Oito amigos alegres, determinados e loucos acordaram bem cedo e com o céu encoberto e antes do sol nascer colocaram as bikes na van e foram para a Garganta do Registro.

A Travessia foi muito elogiada por quem já passou por ela. O amigo resendense, Jorge Kaiowa, disse que foi o mais bonito pedal que já fez, e olha que ele anda muito. J. Augusto, um destemido praticante de trakking colocou lindas fotos do percurso. Ora, com tanto estímulo tocamos para a serra de Itatiaia.

No caminho a escuridão deu lugar há um dia lindo e o céu encoberto se abriu num belo céu azul. Descemos as bikes e tocamos a subir para o alto das Agulhas Negras. Mas a travessia estava lá embaixo, em um vale da serra.

A primeira parada foi num simpático bar perdido entre as serras, num magnífico vale. Fizemos um lanche forte, pois só veríamos comida em Maringá.

Tocamos a subir. Lindo a saída do vale de Serra Negra. O caminho gramado com uma casinha branca muito antiga e um regato despejando uma água límpida e fria convidava a passar o dia ali.

Mas nosso intuito era fazer a travessia. Saímos de 1400 m focado em alcançar 2.200 de altitude. Porém, nenhum de nós estava preparado para o que tínhamos pela frente.

A Travessia dos Tropeiros não é uma estrada (como nos fizeram crer), também não um caminho e nem mesmo uma trilha. Você criado na cidade não tem ideia do que seja um trilho de mulas. Sim, porque este trajeto que fizemos é por onde passa sitiantes daquele vale perdido levando sua produção de queijo, mel, feijão orgânico e outros produtos para Maringá e Visconde de Mauá a ser vendido aos turistas. Você não tem a mínima noção do estrago que um quadrúpede com casco faz na trilha. Ainda mais um caminho centenário que o sol, o vento e as chuvas torrenciais transformam o tempo todo.

Começa com os pequenos buracos que são os pontos que o muar sempre pisa, qualquer um que passe por ali carregado de mercadorias sempre coloca sua pata nesses buracos. A terra mexida é facilmente carregada pela chuva. Numa subida de 800 m a água cascateia furiosa levando a terra e deixando a mostra pedras e raízes.

O trilho sempre ascendente parece uma escada feita de raízes e pedras. Os riachos que se formam na tempestades vão afundando o trilho que se torna estreito cânion que o burro passa bem, mas que o burro do ciclista arrastando sua magrela tem uma imensa dificuldade de passar.

 

Carregando e arrastando nossas amigas bikes subimos quase um quilômetro vertical em 5 km.  Enfim estávamos no alto. As bikes deitadas na grama descansavam de um trabalho que só nós fizemos. O visual era maravilhoso, todo conjunto de Itatiaia desdobrava-se diante dos nossos olhos.

A trovoada rondava em nossa volta como fera raivosa e víamos a tromba d’água despejar chuva nas serras, mas não chegou até nós. Ali, naquela lonjura cada um pensava como era maluco de estar tão alto e tão perto de Deus.

Naquele fim de mundo foi com surpresa que vimos uma, duas figuras, surgirem em sentido contrário ao nosso. Eram outros dois malucos que vieram de Jundiaí para fazer o percurso ao inverso. Apertos de mão, fotos, trocas de e-mails e cada qual foi para seu lado. Ah sim, eles nos avisaram – eram 14:30 - vocês ainda têm 6:30 h de puxar e carregar as bikes.

Mas eles não contaram com nossas capacidades mesmo desgastadas e a descida em que todo santo ajuda. Com mais 5 h estávamos na mesa do restaurante comendo uma deliciosa truta.

     

- Então, seu Zé, foi boa a travessia? Foi linda, foi horrorosa e até agora ainda penso que não volto lá nunca mais.

publicado por joseadal às 18:17

Eu tambem,quero voltar la não.Selvaaaaaa ,de bikena não.
Pedro Raimundo dos Santos a 4 de Março de 2013 às 12:57

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