bikenauta

Março 24 2013

Decidimos participar da cavalgada em Juparanã em honra a São Jorge. Ontem foi o primeiro treino. Todos sabem andar a cavalo, uns mais outro menos, muito menos.

E como vamos ficar em cima dos cavalos mais de oito horas naquele dia da festa, um treino se tornou essencial. Porém, resolvemos aproveitar a viagem e também andar de bike pelos belos caminhos de Valença.

O sábado, 23/03/2013, chegou outonal, claro e fresco. Saímos de carro bem cedinho e encontramos os colegas valencianos nos esperando em frente à velha estação. Rodamos pelo asfalto até o distrito de Taboas, em Rio das Flores. 

Saímos do asfalto subindo em declive manso um antigo leito de via férrea e depois descemos bastante até a pequena São Sebastião de Lacerda. Esses povoados fluminenses guardam a mística da época em que o tempo não corria e a vida escorria calma e sossegada.

Atravessamos o rio Paraíba do Sul e pegamos a serra das Abóboras com uma subida brava e interminável e com ladeiras bem acentuadas. Não chegamos a lugar algum porque o tempo voava e ainda teríamos de cavalgar. Voltamos a Valença, comemos um frango bem fritinho no Bar da Galinha e, com algumas complicações estávamos finalmente sentados nos cavalos seguindo num passo firme por caminhos do distrito de São Francisco de Assis.

Andar de bicicleta toda semana por trilhas de todos os tipos nos dá um domínio bastante bom deste meio de transporte, mas andar de cavalo uma vez na vida outra na morte te faz refém do animal. O amigo Nilson, dono dos cavalos e de uma imensa paciência, me ensinou o básico: a barrigueira bem para trás e apertada sem tirar o folego do bicho, estribos numa altura que se apoie nas pernas e não na bunda, só a ponta dos pés apoiados no estrivo e as rédeas bem curtas seguras firmemente na mão. O cavalo numa longa cavalgada tende a ficar alheio, dormir na sela, e a rédea serve para despertá-lo. Nas demoradas andanças o animal tende a tropeçar e o cavaleiro deve manter sua cabeça elevada e puxá-la para cima na hora dum tropeço.

Sabendo tudo isso fiquei desatento com a paisagem nos altos dos morros para os lados de Conservatória e num tropeço ele deitou de lado jogando o cavaleiro no chão. Fiquei com a perna direita presa sob a barriga pesada até que ele levantou e vi que o pé esquerda estava preso no estribo. Que vale que ele era manso e ao invés de sair em disparada batendo a cabeça do falso ginete nas pedras ficou pacientemente parado até eu conseguir tirar o pé da bota. Com o orgulho bem machucado afrouxei a barrigueira, os amigos chegaram e colocamos a sela no lugar. A noite caia e esfriava e foi com prazer que vimos as luzes do povoado e chegamos ao curral.

Resumo da história: tem gente que não consegue servir bem a dois senhores. 

publicado por joseadal às 14:02

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