bikenauta

Março 29 2013

“A doutrina hindu ensina que a duração de um ciclo humano, ao qual dá o nome de Manvantara, divide-se em quatro Idades, que correspondem a fases de um obscurecimento gradual da espiritualidade primordial; são esses mesmos períodos que as tradições da Antiguidade Ocidental, por seu lado, designavam como as Idades de Ouro, de Prata, de Bronze e de Ferro. Estamos presentemente na quarta Idade, “Kali-Yuga” ou “Idade Sombria”. As verdades que eram outrora acessíveis a todos os homens tornaram-se cada vez mais dissimuladas e difíceis de atingir; aqueles que as possuem são cada vez menos numerosos.

Se o tesouro da sabedoria 'não humana', anterior a todas as idades, nunca se pode perder, ele se envolve, no entanto, em véus cada vez mais impenetráveis, que o escondem aos olhares e sob os quais é extremamente difícil descobri-lo. É por isso que por toda a parte se faz alusão, sob diversos símbolos, a qualquer coisa que se perdeu”.

Ora, o que pareceu a mim e ao amigo Pedrão uma coisa normal e agradável, sair pedalando e aproveitando a bela manhã, é despercebido pela maioria, está como coberto por “véus cada vez mais impenetráveis”. O organismo humano precisa de atividade revigorante e nossa mente anseia pelo mundo natural. Bem, isso é sabido de quase todo mundo, mas muito poucos compreendem que as duas juntas não se faz numa academia e muito menos num sofá diante da TV.

A citação acima está no livro Crise do Mundo Moderno, de René Guenón e me fez reportar ao tempo de meus avós. Francisco era pescador profissional e Otoniel era estivador. Era menino, mas o que me lembro deles é que trabalhavam boa parte do dia e nos dias de folga dedicavam-se a família. Tanto eles como suas esposas tinham um físico enxuto, sem gorduras supérfluas e com ótima saúde. Ora, já viviam no Mundo Moderno, mas num momento dele antes que uma pressa avassaladora mudasse tudo.

Fico pensando se andar de bicicleta seja uma atitude pós-moderna. O livro de Guenón diz mais adiante: “mas também se afirma que aquilo que está assim escondido voltará a ser visível no fim deste ciclo, que será ao mesmo tempo, em virtude da continuidade que liga todas as coisas, o começo de um ciclo novo”.

Então, como cavaleiros pós moderno fizemos a volta bem simples que passando por Arrozal vai até a Fazenda da Grama e contornando Getulândia volta pra casa. Não há muito para contar, senão do verde que nos cercava e impressionava nossos sentidos, o silêncio que nos fazia meditar e a boa conversa de dois amigos.

As fotos, espalhadas pelo texto, não me deixam mentir.

publicado por joseadal às 21:43

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