bikenauta

Junho 15 2011

Um bom mestre é aquele que além de informações técnicas ensina seus discípulos os segredos da vida. Jesus era assim. Certa vez ele disse (palavras que salvam): “Sejam astutos (maldosos) como as cobras e sem maldade como as pombas”. O mestre usou uma aparente contradição para nos fazer pensar: seja maldoso, mas sem maldade.

É com o correr da vida que vemos ou ficamos sabendo de como situações corriqueiras podem virar um acidente. É por isto que as crianças precisam ser protegidas porque sua lista de informações sobre maldades ainda é muito pequena. Mesmo um homem bem vivido, com seus sessenta e tantos anos, precisa estar sempre atento e aprendendo, adicionando fatos a sua lista e se tornando mais maldoso – conhecedor de maldades – e mais precavido delas.

Para se aprender temos de ver ou ficar sabendo de um evento trágico, de um mal que sobreveio a alguém. O inocente que sofre um dolo, um ferimento grave ou a morte e que com seu sofrimento acrescenta astúcia e sabedoria a nossa vida é chamado, um exemplo. Nosso colega de pedal, Antonio Bertolucci, não terá morrido em vão, será um exemplo, se aprendermos com ele a ser mais maliciosos. Com ele aprendemos outro perigo, outra maldade que pode nos sobrevir. Quando andamos de bicicleta nas ruas de uma cidade grande precisamos estar atentos como uma serpente. Bem encostado ao meio fio e ao mesmo tempo evitando a maldosa valeta que se forma com o acúmulo de camadas de asfalto, temos de ver o que vem logo atrás, o perigo que se aproxima ao nosso lado. Um ônibus ou um caminhão é um risco grande. O motorista deve se afastar do ciclista, passar a pelo menos um braço bem estendido da gente. Mas a maldade nos faz vigiar sua aproximação e se ele está muito perto o aconselhável é parar. Deixe o perigo passar e continue. Especialmente em curvas um veículo maior é como uma reta tangenciando um círculo, ele corta o espaço e, se deixarmos, ele corta a gente, tira nossa vida.

Antonio era mais velho um ano do que eu. Pena não o ter conhecido. Parece que pensávamos bem parecidos. Um homem que podia ir de carrão para o serviço e que preferia a bicicleta era uma pessoa antenada com as mudanças deste mundo. Oremos para que ele seja bem recebido na outra dimensão.

Mas não esqueça, querido amigo e aluno na escola da vida como eu, de ler as letrinhas pequenas que tem no nosso contrato de vida, tanto no meu como no teu: A fatalidade acontece a todos.   

publicado por joseadal às 00:05

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