bikenauta

Outubro 28 2011

Estou lendo Os Canhões de Navarone, episódio épico da 2ª Guerra Mundial. Descrevendo o perfil psicológico dos personagens o autor Alistair Maclean mostra no tenente Andy Stevens algo que também sinto e, como ele, muitas vezes desafio o perigo para afrontar o pavor no meu peito.

"Não era a primeira vez que sentia medo, sempre o tivera, até aonde chegava sua memória. Lembrou da vez, ainda garoto, em que seu pai e seus irmãos, cansados de tentar lhe ensinar a nadar, atiraram-no na piscina e como havia lutado e engolido água para chegar a borda do outro lado, tomado de pânico e desespero, com o nariz entupido e com a boca do estômago apertada por aquela dor desconhecida e aterrorizante. Com o passar do tempo ao pavor físico acrescentou o medo do fracasso e da zombaria resultante. Foi precisamente num desesperado esforço para dominar este duplo temor paralisante que se dedicou a escalar montanhas. Por fim chegou a ser bom nisso".

Comigo, no mountain bike, acontece algo semelhante. Quando o caminho se torna uma descida íngreme com buracos, valetas e muitas pedras soltas e a bike desce ganhando cada vez mais velocidade, meus dedos ficam coçando os manetes dos freios sem se atrever a apertá-los, deixando a corrida aumentar, o vento se esfregar no rosto e a visão periférica assistir o mato e os barrancos passarem céleres. Se não dá medo? Claro que dá! E ele é um componente precioso, acrescenta tempero ao passeio e o torna mais praseiroso. Não disse ainda, mas no tempo breve que se torna longo porque cabem nele várias experiências de todos os sentidos, somam-se os pensamentos atropelados, as imagens e respectivas dores de quedas que já sofri - ou de colegas -, com o choque pós queda e as dores e os procedimentos médicos no pronto-socorro. Isto, esta concentração de emoções num momento breve é um tônico que a pessoa precisa sentir.

 - Vencer o medo também é importante, não é?

Olha, meu camarada, acho que é mais por outro caminho. Penso que o bom é fazer do medo nosso parceiro, ir buscá-lo sei lá onde dentro da gente e ao lado do feioso pavor, ou firmemente abraçado com ele, tornar uma aventura mais emocionante.                        

Em tempo: Esta semana conheci o médico Enilsen Guimarães, em Anchieta, Rio, ciclista com 79 anos. Repare nesta foto de nosso amigo a quantidade de medalhas que colecionou participando de competições. Hoje, pedala por prazer e por paixão mantendo-se jovem, como deve ser. 

publicado por joseadal às 22:54
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