bikenauta

Abril 06 2012

Por 10 km pedalei e empurrei a bike por uma trilha que atravessava fazendas e onde a solidão era grande em meio a pastos e entre incontáveis
morros. Sem ter ninguém com quem falar, pensava. Estou lendo o livro O Mapa da Alma no capítulo onde estuda influencias sobre nosso comportamento que Jung denominou Anima (nos homens) e Animus (nas mulheres).

“Elas situam-se na psique, essencialmente para além da influência das forças que moldam e dão forma ao consciente dos indivíduos,
como: família, sociedade, cultura e tradição”.

José Adal, o homem que por muitos anos ensina tem um comportamento que foi moldado pelos pai e mãe, os casamentos, as religiões e
coisas que leu. Mas o ciclista ZéAdal que está sempre buscando uma trilha virgem ou desconhecida para passar é movido por forças outras, pulsões que vem do fundo da mente. São dois poderosos arquétipos:

“O arquétipo ou ‘a coisa em si mesma’ vem de além da percepção humana. Só podemos percebê-lo indiretamente, observando suas
manifestações”.

Quando saí do asfalto bem recapeado da estrada Barra Mansa-Bananal, abri a porteira e segui por um caminho empedrado e cheio de
buracos, mas com a alma feliz, você observando a cena talvez gritasse: não vai por aí, não, Zé! Mas fui. Compelido pelo quê?

“Anima/us permite que o ego viva experiências armazenas nas profundidades da psique. A função natural deles é a mesma que a da persona que
faz o ego adaptar-se aos objetos do mundo material que o cerca. Elas funcionam como uma ponte entre as imagos da imensidão do inconsciente e a
pessoa, faz com que ela vivencie e se deixe impulsionar por estas lembranças”.

Quando quase uma hora depois vi a estrada plana desenrolada lá fora fiquei feliz. Não é incompreensível: gosto da estrada lisa e bem
cuidada e me meto por caminhos onde só bicho passa?

Na carta que Paulo escreveu aos Romanos ele descreveu esta situação (7:17): “De maneira que agora já não sou eu que faço isto”.

Mas que me satisfez não há como negar. Talvez não ao organizado José, mas com certeza fez feliz o aventureiro, o bucaneiro, o
primitivo Zé. Olhando esta foto da serra da Bocaina enfeitada com rendas de nuvens você também não acha bonito?

 

publicado por joseadal às 22:53

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