bikenauta

Dezembro 31 2012

Quando foi construída a primeira bicicleta? Não dá pra saber. A locomoção sobre duas rodas foi imaginada primeiro por Leonardo da Vinci, em 1490, dez anos antes da descoberta do Brasil.

O tempo passou e o primeiro a construir um transporte individual de duas rodas foi o barão Karl von Drais, em 1817. Era quase um retorno ao tempo dos Flintistons, quando o homem se locomovia empurrando o veículo com os próprios pés. Parece besteira, mas numa descida adiantava bem a viagem.

Dai em diante o conceito foi sendo melhorado até surgir um modelo parecido com as bikes de agora, em 1863, construída por Pierre Lallement.

Este meio de transporte é mil em um, pois serve para uma infinidade de propósitos e pode andar em quase qualquer lugar deste planeta. Se você está sozinho com ela tens toda liberdade de procurar caminhos, se está em grupo segue-se um plano predeterminado.

No sábado 29/12/2012, sem colegas subi uns morros da cidade entrando em uma comunidade e sendo ajudado por crianças a achar a trilha para pedalar por trás da reserva florestal da Cicuta.

Lá estavam eles lá em cima me dando adeus.

Hoje, domingo, 30 de dezembro, junto com cinco amigos fizemos a volta de Dorândia por um dos muitos itinerários possíveis. Muita conversa, um lanche gostoso e um esforço que manteve nossos corpos preparados para os muitos passeios de 2013.

Que venha o novo ano.

publicado por joseadal às 01:15

Dezembro 25 2012
Convenções, o ano e os mezes, os dias e as horas, são medidas humanas, puras convenções. Mas as estações, o calor e o frio, a chuva e o sol forte, esses são reais e vemos se repetir interminavelmente. Estes dias de sol forte, já o senti 68 vezes. Mas te juro, não parecia tão quente quando ficava jogando basquete na escola depois da aula, meio-dia a pino. Era jovem, será só isso? Não me lembro do verão ser tão quente quando andei pelo sul da Bahia, minha filha pequena, carregando-a nas costas no trabalho de ministro por praias infinitas orladas de um coqueiral sem fim.


Mas temos de viver o que nos é dado. Assim sendo, neste sábado 29/12/2012, no apagar das luzes de uma volta inteira de nosso planeta em torno de nossa estrela, vamos fazer um pedal inesquecível. Tome nota: vamos sair da praça Brasil em nossos carros às 6 horas, bem cedinho e guiar até Valença para encontrar nossos colegas de pedal daquelas bandas. Na rodoviária deixamos os carros, descemos as bikes e enfrentando sol ou chuva vamos rolar por lindos caminhos. Pelo asfalto vamos até a entrada da estrada para a fazenda Chacrinha, e apreciando a paisagem arborizada passamos por outras belas casas-grandes até a fazenda Destino. Ali, ao invés de entrarmos à direita para Pentagna seguimos para Chaves. Não te engano, não é este meu propósito, vamos subir muuuiiito, mas devagar ou depressa, conforme as forças de cada um. Então, do pequeno vilarejo que não conheço pegamos um descida bela e refrescante até Rio Preto, onde almoçamos. É sempre bonito ver as bicicletas empilhadas na porta do restaurante, é sinal de amizades forte, prova inconteste de que não somos solitáriose temos vários amigos. Descansados giboiamos em cima das bikes fazendo a digestão até a velha estação de Alberto Furtado. Já com as forças plenas subimos, uma subida mansa, mas subimos até Coroas. Tornamos a descer e eis que surge Pentagna e seu casario e igreja no alto do morro. Então é rodar planejando 2013, falando de trilhas novas a percorrer e, sem nos darmos conta, estamos em Valença. Que dia maravilhoso e produtivo para o corpo e para a mente! Isto não é uma convenção, é real. E você está convidado, porque sou seu amigo.


Aproveite e veja que belos lugares visitamos, eu e meu amigo Pedrão, nos 4 dias do Desafio Volta Redonda-Rio das Ostras.

https://skydrive.live.com/redir?resid=3958A066E635B727!3996
publicado por joseadal às 10:27

Dezembro 23 2012

Sabe como é um fim de festa? A chegada é uma euforia só, “tudo é divino, tudo é maravilhoso”, como diz o poeta Belchior. Mas, lá pra diante a festa fica como canta Zeca Pagodinho: “Fui no pagode, Acabou a comida, Acabou a bebida, Acabou a canja, Sobrou pra mim, O bagaço da laranja”.

Nem sempre, porém. Na Galileia, no vilarejo Caná, a festa de um casamento chegava ao fim e o vinho terminara. A viúva do carpinteiro José disse aos copeiros: Faça tudo conforme meu filho mandar. O filho de Maria, a virgem de Nazaré, pediu que enchessem três bilhas grandes de água e, num milagre, transformou-a em vinho [quem tem ouvidos para entender, entenda]. João, o apóstolo mais jovem, conta: “E logo que o mestre-sala provou a água feita vinho (não sabendo de onde viera, se bem que o sabiam os serventes que tinham tirado a água), chamou o esposo e disse-lhe: Todo o homem põe primeiro o vinho bom e, quando os convidados já têm bebido bem, então serve o inferior. Mas não tu que guardaste até agora, o fim da festa, o bom vinho”. E assim foi o fim do Desafio Volta Redonda-Rio das Ostras, o melhor ficou para o último dia.

Diferente dos três primeiros dias de pedalada a segunda feira, 17/12/2012, começou radiosa. Eu e o mano Pedrão tocamos pela avenida central de Nova Friburgo, corremos pela estrada que desce para o Rio de Janeiro e ao chegar em Mury entramos à esquerda e tocamos para Lumiar. Apesar do sol grandioso as bikes rodavam sob um arvoredo que sombreava nosso caminho. O último dia de pedalada parecia o primeiro. Tanto eu como o amigo Pedrão sentíamo-nos cheios de força e animação.

Ainda andávamos sobre as serras e ali é um sobe e desce de morros que fazia bem variado o exercício. Os músculos das pernas, das costas, dos braços e da barriga se retezavam e se distendiam num ritmo intenso. Um vento fresco fazia o suor do uniforme ficar geladinho quando pegávamos uma boa descida. Era tudo festa e alegria. Grandes batólitos, imensos granitos, margeavam a estrada que serpenteava entre as matas.

Chegou Lumiar e... que decepção, uma vila de casas sem graça. Meu Deus, cadê o sonhado recanto com um regato limpinho levando e lavando as imundícies do mundo? Meus olhos não conseguiram ver a “água virar vinho”. Comemos uma melancia geladinha e continuamos, agora, para baixo, para o nível do mar, chega de serras. Descidas maravilhosas, a bike solta, os dedos só tocando de leve as manetes dos freios e as curvas em que a magrela fazia ângulos incríveis controlando as forças de gravidade e centrífuga. Era tudo um festival.

Não se pode negar que num final de festa sempre há alguma briga ou desentendimento, o último trecho de nossa viagem não podia ser diferente. Embriagados de tantas belezas, com a taxa de adrenalina nas veias bem alta o camarada Pedrão e eu não conseguimos evitar um desacordo. Conforme planejado chegaríamos em Rio das Ostras e depois de um banho de mar entraríamos no carro voltando para casa. Estávamos numa das últimas descidas, onde tem um sapão em cima de uma rocha, quando ele avisou: Seu Zé, não fique aborrecido comigo, mas não volto hoje pra casa. Viajamos amanhã. Não me queira mal.

 Diz o livro santo que não se deve retrucar sob irritação ou surpresa: deixe o tempo rolar um pouquinho. E logo adiante apareceu o casario de Casimiro de Abreu lá em baixo. Entramos na cidade bem junto a rodoviária onde vários ônibus faziam um pausa na viagem. Entramos num restaurante ali ao lado, nos servimos e almoçamos em paz. Na hora da sobremesa disparei: Amigo Pedrão, meu alvará de soltura expira hoje, prometi a “dona” Lili estar em casa até 20 horas pra levar Malu pra passear. Assim, decidi botar a bike no bagageiro de um ônibus para o Rio. Sigo agora mesmo. Termine por nós dois o Desafio que acaba em Rio das Ostras e  também pegue uma praia por mim. Não me queira mal.

Abraçamos-nos e nos separamos mais que os dois amigos que começaram esta festa de ciclismo três dias atrás, éramos então dois irmãos. Parafraseando Latino: Hoje é festa lá no meu apê, Tem muita bike Até amanhecer.

publicado por joseadal às 14:21

Dezembro 20 2012

O início da década de 1970 foi rico para a música brasileira. Casa no Campo, de Zé Rodrix, tornou-se meu hino de bem viver. Nela, um verso diz: “e tenha somente a certeza dos limites do corpo e nada mais”. Os antigos diziam que ter saúde vale mais que possuir fortuna. Tudo isso é bem compreensível, mas só nos damos conta da verdade intrínseca quando ficamos doentes e o limite do que nosso corpo aguenta se torna uma certeza. Foi o que se deu no terceiro dia, domingo, 16/12/2012, do Desafio Volta Redonda-Rio das Ostras.

Deixamos Teresópolis com um sol fraco e tocamos a pedalar. Deveria ser o dia mais fácil, talvez o mais bonito, rodando pelo alto da serra dos Órgãos. Mas não foi. Para o amigo Pedrão por ter de esperar e aguardar o vagaroso Zé, e pra mim porque sentia o estômago revirar e as pernas pareciam carregar um saco de cimento em cada uma.

Era pra gente almoçar em Nova Friburgo e seguir para Lumiar, mas a hora do almoço chegou ao meio do caminho Teresópolis-Friburgo. Não podia nem ver comida e enquanto o amigo batia um pratão corri para o posto de saúde. A pressão estava boa, 13x8, mas devia ter uma intoxicação alimentar. Tomei um sal de fruta e um sorvete e fui me arrastando. Pensava nos colegas que às vezes vejo sofrendo em pedaladas difíceis. Como devem sofrer sentindo cãimbras, sentindo tonturas e não tendo forças para pedalar. Aprendi nesse dia a ter misericórdia as custas de muito desconforto.

Chegamos a Vieira, um belo vale repleto de plantações de hortaliças. Mas quanto mais avançávamos mais as montanhas pareciam intransponíveis. Com um restinho de humor perguntei a um sitiante: onde fica o túnel?, ele riu.  Rezei os dez Pais-nossos e me senti forte para empurrar a bike até lá em cima.

Mas nesse momento, olhando minha cara que estava verde, o amigo Pedrão largou a bicicleta na beira da estrada e se embrenhou numa mata. Ele é neto de índio e tenho quase certeza de ter ouvido batidas de tambores e visto nuvens de fumaça subir ao céu azul lá pra onde ele havia se embrenhado. De repente, ele sai da macega com um ramo verde na mão, o rosto pintado para a guerra e uma pena de avestruz no capacete, e diz: cara pálida esverdeada, lava as folhas de Macaé e mastiga bem. Assim o fiz, amargava como fel. Pensei: agora estou pronto, que venha a serra!

Não sei como e estávamos rodando margeando o córrego da avenida de Nova Friburgo e entrando altaneiros – já me sentia um pouco melhor – na praça central cheia de gente passeando e tomando sorvete. Procuramos o hotel em que havia me hospedado 10 anos antes e depois de um banho fomos andar no meio do povo. Lumiar ficou para o dia seguinte. No último dia ao invés de 70 km teríamos de rodar cem. Mas para isso rezei os 10 Padres-nossos.

publicado por joseadal às 11:46

Dezembro 19 2012

Desculpem-me, vocês que são jovens, mas os velhos vivem de suas memórias, dos seus feitos que não se repetem mais. Por isso, me perdoem se rememoro coisas passadas, como daquela vez que fui com minha bike até Teresópolis subindo e descendo serras.

Foi num sábado, 15/12/2012, ainda me lembro como se fosse agora. O dia amanheceu bem encoberto depois de uma noite tempestuosa em que choveu tudo e mais um pouco. Saímos da pousada, eu e o colega Pedrão, com os corações ansiosos pelas aventuras que viveríamos nesse dia. Para sair de Paty de Alferes para o vale das Videiras, em Petrópolis, só subindo muito. Mas tinha opções: ou pegávamos a estrada de terra – melhor dizendo de barro puro – ou seguíamos pelo asfalto.

Num pedal com 350 km, como o Desafio Volta Redonda-Rio das Ostras, é preciso planejar cada dia. Traça-se a rota nos mapas da internet, verifica-se a dificuldade do caminho (subidas, travessias de riachos, trilhos perdidos nas matas, etc), decide-se onde almoçar e escolhe-se a pousada vendo fotos e preços pelo computador. Não ache graça, pois mesmo idoso já me aproveito das comunicações modernas. Neste trecho que estávamos a rota planejada era por estrada de chão por onde já havia passado vindo de um evento do Audax. Mas a decisão foi unanime: como nosso foco era chegar em Rio das Ostras, não precisávamos de mais dificuldades para o pedal ser melhor. E enfrentamos a serra numa subida íngreme em zig-zag.

Depois foi correr pelo vale margeado de plantações de tomate, a riqueza de Paty... ou sua pobreza. Porque os tomateiros jaziam carregados de tomates maduros apodrecendo. Me deu uma vontade tremenda de comer tomate com sal e paramos num pequeno bar. Pedimos bebidas geladas e peguei três tomates no balcão pedindo ao comerciante para pesar. Ele disse: não, isto é uma oferta da casa. Providenciou o sal e fiquei conversando com o filho dele, um lourinho, enquanto comia os tomates graúdos, com gosto. Perguntei pelos pés carregados e ele usou uma expressão triste da região: não deu preço. Significa que o que os atacadistas estavam pagando não valia o frete. Ficavam os tomates a apodrecer. Tocamos pra frente.

Numa subida lá vinham dois ciclistas voando. Quando deu para ver as feições deles, gritei: para tudo, aí! O amigo Pedrão se espantou. Eles frearam e dando a volta nos aproximamos das duas figuras. Eram os Sérgios de Paty. Dois colegas com o nome de Sérgio que conheci num pedal a Pedra do Imperador. Trocamos informações e nos despedimos. Lá foram eles com as bikes atoladas de lama. É a velha máxima do pessoal do mountain bike: para melhorar tem de piorar.

Subimos até o centro do Vale das Videiras... aí a pedalada virou turismo. Neste lugar, eminentemente frequentado por turistas esportivos endinheirados vindos do Rio ou Petrópolis, tem uma loja que serve lanches deliciosos, vende produtos de decoração, aluga bicicletas e providencia guia para trekking e bike e aplica massagens maravilhosas. Nós dois, embrutecidos ciclistas da roça só aproveitamos a comida e bebida e seguimos viagem. Melhor dizendo, trepamos por uma serra de responsa que não acabava mais.

Cachoeiras, conhecer novos amigos e subir sempre levou o resto da manhã. Mas depois, a recompensa, seis quilômetros de descida até Araras onde almoçamos como reis, ou segundo o lugar que estávamos, igual a D. Pedro, os dois. E daí saímos giboiando em cima das bikes pela BR 040 até Itaipava. Comprei uma luva nova e saímos do centro comercial chik porque a serra de Teresópolis nos chamava lá de longe.

Corremos satisfeitos até que São Pedro resolveu arrumar o céu e a água caiu. Esperamos numa casa de jardinagem e quando a chuva virou garoa subimos a serra do Capim. Falando assim até parece fácil: subimos a serra do Capim. Mas não, foi suuuubimoooos um aclive de 6° que não acaaaabavaaaa mais. O visual era lindo, e ponto. Mas não a bem que sempre dure e a longa subida virou uma descida de 8 km espetacular. Numa curva, lá estava Teresópolis.

Vocês, meninada nova, não tem ideia de como é bom ter aventuras como essa para recordar. 

publicado por joseadal às 10:48

Dezembro 18 2012

Agora já ficou no passado. Mas 350 km de pedalada subindo e descendo serras, vendo e vivendo paisagens e emoções não podem ser ouvidados. Quatro dias colocando todos os músculos para trabalhar ficam marcados na mente e no corpo. Mas, relembrando neste instante constato admirado: Nunca foi tão fácil!

A maior preocupação dos dias que antecederam o evento é como suportaríamos o sol, mas na manhã da 6ª feira, 14/12/2012 não encontramos o poderoso guerreiro em seu carro dourado que os egipcios chamavam Amon. O começo do dia estava fresco e uma brisa nos empurrava por caminhos já bem conhecidos. (na foto eu e Pedrão no caminho por trás da Escola Agrícula, em Pinheiral)  

Pedalamos 100 km passando por boas subidas e não deu pra cansar. Às 15:30 tínhamos chegado ao nosso objetivo do primeiro dia, Paty de Alferes. Foi um passeio bom demais. (aqui estamos em Morro Azul, já pertinho de Miguel Pereira, o profeta ao nosso lado é uma figura local)

 

Mas preciso falar sobre a fé. É só um instantinho, e tem a ver com o pedal desse dia.

Esses dias lemos, eu e Lili, sobre o profeta Jonas, o da baleia, e da ordem divina dele ir pregar à cidade de Nínive. Missão cumprida o profeta voltava para casa por um deserto e debaixo de um sol que Deus me livre. Rezou interpelando o Criador: meu Pai, estando ao Seu serviço morrerei neste deserto?! Mas ao subir duramente uma duna viu um oásis com um caramanchão, correu. Deitou a sombra e pensou: foi uma sorte achar esse recanto tão fresco. Sorte coisa nenhuma! Mas ele esqueceu que havia pedido isto a Deus. Dormiu direto toda tarde e aquela noite e acordou com o sol batendo na cara. A primeira pergunta que lhe veio a mente foi: cadê meu caramanchão!? Então ouviu a voz divina: Você não soube ser agradecido, vai pro sol. A fé não só muda uma montanha de lugar como pode fazer o sol ficar longe da gente.

(almoçamos em Vassouras, no tradicional restaurante da praça da igreja, tudo tinha de ser do bom e do melhor)

Na véspera, trabalhando sob uma solina tremenda, pensava na pedalada e rezei: Pai dê-nos um dia fresquinho pra pedalar.

E no dia D, começo do Desafio Volta Redonda-Rio das Ostras, desde que sai com Malu, bem cedinho, a manhã estava encoberta. Encontrei o amigo Pedrão e tocamos pra Pinheiral. Uma moleza!, como diz a propaganda de Ronaldo Fenômeno.

(não adiante dizer: puxa só aparecem Zé e Pedrão nas fotos; mas só fomos nós dois! Aqui estamos chegando em Barra do Piraí)

Daí pra Vargem Alegre no asfalto lisinho foi fabuloso. Pegamos a estrada de chão para Barra do Pirai e mesmo nas subidas não dava pra suar. Atravessamos a cidade, passamos Itakamosi, o lugarejo Bacia de Pedra, e chegamos a Vassouras onde um almoço muito legal nos esperava. Nos alimentamos sossegadamente e saímos pedalando pra fazer a digestão. Mas na boa mesmo, sem correria. O tempo continuava nublado e fresco como pedimos a Deus.

Subimos para Miguel Pereira e, juro, o ar-condicionado estava ligado no máximo. Fazia frio! Enquanto passávamos por Morro Azul o sol apareceu e esquentou um pouco, mas chegamos ao destino com a tarde tão fresca que parecia ser outono. A chuva chegou quando íamos do lago Javary para Paty. 

Sabidos, rezamos dez Pai Nossos para agradecer o pedido atendido. Eu e Pedrão não somos bobos como Jonas da Baleia. Amanhã era outro dia e queríamos sobra e água fresca para subir pra Teresópolis. Mas isto eu conto depois. 

publicado por joseadal às 18:58

Dezembro 06 2012

Há esportes dispendiosos e outros que são acessíveis a todo mundo. Para o futebol, por exemplo, basta um lugar plano e uma bola velha e a garotada fica uma hora correndo. O ciclismo também é um esporte acessível. Muitos começam com uma bicicleta usada para andar por perto e lá se vão estrada a fora. O gasto com o mountain bike é irrisório. Não é preciso alugar o local, é só pegar um caminho público. Lembro que há 9 anos sair com R$10 no bolso era o bastante para pedalar o dia todo, incluindo o almoço. Com a inflação disfarçada, hoje, não se pode sair com menos de R$25.

Na viagem que vamos fazer de Volta Redonda até Rio das Ostras passando por cima das serras, em quatro dias, estamos tentando manter a despesa diária em R$80 incluindo o pernoite em razoáveis pousadas. A volta, tanto de van quanto de ônibus vai ficar em R$85 – Rio das Ostras-Rio, R$40 e Rio-Volta Redonda R$45. E o benefício será imensurável: uma companhia alegre com muita conversa boa, um exercício aeróbico regular e forte, um descanso para as agruras do dia a dia e o mundo lindo que Deus nos deu e que vai desfilar perante nossos olhos.

O dia da partida está se aproximando celeremente, sexta feira, 14/12/2012 às 7 h, saindo da prefeitura de VR.

publicado por joseadal às 09:41

Dezembro 04 2012

LIBERDADE!

Até o som da palavra é agradável, LI-BER-DA-DE.

E é o que? É poder fazer o que se quer e não porque é obrigado. É mais, é ter a chance de botar o pé na estrada deixando todas as obrigações para trás.

Pois é isto mesmo que vamos fazer dia 14/012/2012.

Vindo de vários bairros os ciclistas vão se reunir, mochila nas costas ou no bagageiro da bike, e depois das boas vindas, uma prece e muitos sorrisos, pegar caminhos pouco conhecidos; e isso por quatro dias. É o desafio Volta Redonda – Rio das Ostras. A casa da gente, a mulher, os filhos e o cachorro vão se desligar de nós. Por uns poucos dias vamos ser o jovem sem lenço e sem documento. Que bom poder esquecer a conta de luz e do telefone e os impostos que infalivelmente vão começar a chegar a partir do mês que vem.

Só duas coisas estarão no foco de nossas vidas, nosso Criador que nos acompanhará o tempo inteiro e a bike, os pés girando os pedais, a paisagem desfilando compassadamente, a facilidade de parar onde quiser: num bar a beira da estrada, diante de uma paisagem de tirar o fôlego, em uma cachoeira e na praia, lá no final. As noites serão diferentes daquelas de casa. Os papos serão outros. E a saudade, inevitavelmente, vai aumentando a cada dia.

Mas o bom, o feliz, é que estaremos livres no mundo! Pelo menos um pouquinho.

publicado por joseadal às 10:39

Dezembro 03 2012

Um esporte aeróbico e de resistência como o mountain bike leva o praticante àquele ponto em que os músculos ficam extenuados e ele sente que está chegando a seus limites. Neste domingo, 02/12/2012, um grupo de 17 ciclistas, com a participação da potiguar Cláudia, decidiu ir até as ruínas de São João Marcos, 130 km de percurso. Todo mundo sabia que ia ser um uma parada dura.

Quando deu meio-dia, já tendo pedalado 75 km sob um sol inclemente, quase todos estavam esgotados. Por sorte o barzinho da estrada Rio Claro-Mangaratiba estava perto. Se estivéssemos numa academia era hora de parar e ir pra casa, mas para quem faz ciclismo de longas distâncias simplesmente não dá, estávamos muito longe de casa.

 

Seis colegas decidiram voltar dali e o restante tocou a subir para chegar ao sítio arqueológico. Existiu ali uma bela cidadezinha no fim do século 19, mas quando os engenheiros da Light dinamitaram tudo dizendo que a água da represa invadiria as casas, São João Marcos estava em acelerado processo de abandono. Tiramos fotos, bebemos bastante água gelada e iniciamos a volta. A respiração saía opressa da maioria de nós, idosos os jovens.

É preciso tirar da mente os pontos difíceis que ainda restam ser vencidos. Com o cansaço vencendo cada um é preciso pensar em coisas boas, assuntos leves. A dezena de subidas a ser ultrapassadas precisavam ser esquecidas. Com cada músculo pedindo descanso a mente tem de desviar seu foco para o banho quente e a poltrona macia, a chegada em casa. Como um celular com a bateria quase descarregada o atleta amador tem que deixar sem uso quase tudo para ainda ter energia de prosseguir.

Enquanto ainda de manhã e com o corpo cheio de vitalidade, aproveitávamos o visual, é mesmo uma parte vital neste esporte, a volta, restringindo ao máximo nossa capacidade ao básico, vencer os últimos quilômetros, parece feita num túnel, toda paisagem fica como que enrolada num tubo sem cores e profundidades. Num raro desviar dos olhos presos a faixa na beira do asfalto da estrada que vem de Rio Claro ainda se consegue vislumbrar uma nesga de um ribeirão onde o gado gordo do inverno chuvoso pasta ao final da tarde. Mas a atenção não pode se desviar, os carros passam perto na rodovia sem bom acostamento. 

A pouca segurança está na fila indiana que fazemos pedalando com toda força. Coisa admirável é o que o ciclismo faz no caráter dos atletas. Jovens que poderiam se distanciar facilmente formam uma proteção em torno do velho ciclista. Fechando a marcha ou a frente formando um vácuo que ajuda a manter a velocidade esses homens de brio e grande beleza interior, são uma alegria para o coração que bate acelerado com o esforço de não atrasá-los mais ainda.

A tarde cai, no chão a água da trovoada ainda rola e os pneus levantam uma chuva de pingos sujos. Incrível que a trovoada nos cercou por todos os lados, mas não tomamos uma gota da tempestade.

Por tudo o passeio a São João Marcos, cidade que desapareceu como todos nós desapareceremos um dia, foi uma presente de Deus, uma benção neste dia do Senhor.      

publicado por joseadal às 22:28

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