bikenauta

Abril 19 2012

Os caminhos das Gerais são carregados de nostalgia. Pode ser psicológico, o mesmo
chão que ainda se anda em Levy Gasparian, Estado do Rio, parece diferente ao se passar o rio Preto. Talvez porque o subconsciente
agregue àquele chão o que aprendemos na escola sobre os heróis inconfidentes e todo ouro e
diamante que essas plagas deu ao país.

Admito que o toque de saudade ao passar uma porteira naquela terra
é tão forte que remeta também as memórias de vidas passadas arquivadas no inconsciente.

Por isto e pela companhia dos amigos que vão pedalar por 1000km de estradas
mineiras pedi a Lili paciência e cooperação para eu andar em minha velha bike
pelas trilhas de Minas. Nos próximos dias vou contar como foi e na imaginação levar vocês pelas colinas e
cachoeiras da Zona da Mata.

Para o amigo e amiga impossibilitados de fazer uma aventura dessas tenho uma
palavra. No livro O Mapa da Alma, que não termino de
ler, Jung ensina que tanto eu quanto você não usamos todo nosso petencial que é
o de ser "a imagem de Deus". Ele, o teórico em psicologia chamou esta completude
de ser o si-mesmo. Na maior parte das vezes, como "uma pessoa
de bem", isto é, um cara que conseguiu resistir a "andar pelo
caminho  largo" ou "na senda do crime" - Jung diz que estes vivem a sombra, estão na
"banda podre" - vivemos apenas parte de nosso potencial. Todo sujeito meio
travado e "politicamente correto" é chamado por Jung de persona, "o máscara".

José Adal é normalmente desse jeito que é porque o que "seu" Gumercindo  (que Deus o
tenha) enfiou em seu consciente: o trabalho dignifica o homem, ficou-lhe tão
atarrachado na cara que só pensar em sair "sem lenço e sem documento, nada
nos bolsos ou nas mãos", como canta o poeta Caetano, o deixa meio culpado, com ansiedade.

Ainda assim, respirando tenso se solta e deixa o Zé Perdido sair
de si e viver um pouco. Este modo de ser é um complexo, o que para Jung é uma personalidade
bem elaborada e independente que vaga em seu inconsciente.

- Zé, voce é maluquinho da silva.

Que nada! Voce aí tão centrado também tem gentes dentro de si pedindo para sair e
"dar uma voltinha". Como cantava nossa maravilhosa negra:

"- Não vadia Clementina!

- Fui feita pra vadiar".

É por essas e outras que vou deixar meu sapato preto e Malu e Lili se virando
sozinhas e vou pedalar pelas trilhas de Minas.

 

publicado por joseadal às 23:54

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