bikenauta

Setembro 17 2012

Há um momento especial em uma grande pedalada – como a que fizemos ontem, 16/09/2012 – de quase ou mais de 100 km.

(começo da volta até Rio Preto passando pela fazenda Chacrinha)

Diferente da sucessão rápida de lugares e circunstâncias, no momento da partida tudo parece suceder vagarosamente, quadro a quadro. As bicicletas estão encostadas a parede, a corrente bem azeitada e elas todas preparadas, tudo em suspense. Então, alguém da a ordem de “vamos embora” e cada ciclista se aproxima da sua, leva-a para a rua, clipa o pé no pedal e dando um impulso senta no selim; o momento passou e na algazarra das conversas o grupo se afasta pela estrada e tudo agora se movimenta rápido.

(ponte sobre o rio Preto, atravessando de terras de Minas Gerais para as do Rio de Janeiro, em Humberto Furtado)

Seja lá o que for que estejam conversando, mesmo brincando e fazendo piadas uns com os outros, naquele momento mágico da largada a mente de cada um está focada no plano do pedal. O espírito se prepara para cada subida forte que conhece ou advinha, o sol quente que mesmo neste inverno rouba a força e nos faz tomar goles d’água a cada instante e as dores dos músculos cansados e extenuados. É como se um mapa de todo o percurso flutuasse em frente aos nossos olhos, enquanto estamos ali parados esperando a ordem de “vamos embora”.

(nas corredeiras, ponto turístico da pacata Pentagna, distrito de Valença) 

No ponto de encontro, àquela hora da manhã, o ar é fresco, quase gelado. O corpo descansado pulsa com a adrenalina começando a ser jogada na corrente sanguínea. Ali, entre os abraços de quem não se vê à tempos ou os fortes apertos de mão de quem pedalou juntos a uma semana, há uma expectativa no ar. De longe passa rápido por nossa mente a possibilidade de um tombo, de um pneu furado ou de uma engrenagem quebrada. Mas neste início de pedal estamos cercados de colegas que garantem ajuda e socorro. Todos falam ao mesmo tempo, mas os ouvidos estão atentos e o coração pede quieto pela ordem: vamos embora!

(a luz da tarde que avança, o rio Preto reflete como um espelho; vista do caminho de Barriado que começa no km 8 da estrada RioPreto-StaBárbara do RioVerde)

publicado por joseadal às 12:18

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