bikenauta

Novembro 01 2012

Os caminhos perdem-se pelo mundo afora, pois o ser humano em sua indomável ânsia de caminhar abriu, a força de pisar o mato, extensas trilhas sem fim. Veja aquela nesga de estrada, de onde está vindo e para onde vai? Nós, herdeiros daqueles desbravadores, temos mais é que continuar mantendo abertos os incontáveis trilhos que eles fizeram com determinação e ansiedade de andar.

Assim, foi com o coração palpitante que desembarcamos as bikes e sem delongas tocamos a subir a serra da Bocaina em São José do Barreiro. A cada giro do pedal, feito com força e tenacidade, a nossa montaria ganhava metros de altitude e o vale do rio Paraíba do Sul com seu ‘mar de morros’ ia ficando cada vez mais lá embaixo até que ultrapassando as nuvens não o víamos mais.

Ainda demorou até vencermos o alto da serra e nos despenharmos pelo sertão da Bocaina.

Mas para que servem as estradas abertas pelo homem? Para chegar até seu irmão distante, para ir a ‘venda’ ou a farmácia, ao médico ou ao salão de baile nas noites alegres de fim de semana. Há tantas coisas a se fazer sem ser ficar mourejando dia após dia! Os caminhos são os meios fáceis de alcançar tudo isso. E foi por um deles que nós chegamos a pousada Lageado, antiga fazenda de assoalho de largas tábuas corridas e janelas que se abrem para pastos e suas alimárias e para o céu azul que recobre todo verde do mundo.

Depois, giramos pelo alto da serra. Os caminhos vicinais não são como as estradas dos engenheiros que cortam os morros e vencem as baixadas com viadutos. Não, as estradinhas de terra se conformam ao terreno preparado pela Natureza num trabalho minucioso feito com o vento e com as chuvas, com o sol inclemente e com os rios cascateantes. Assim, o ciclista ou o caminhante, o jeepeiro e o cavaleiro, precisam subir encostas e descer ladeiras num movimento natural de altos e baixos. A paisagem passa devagar ao nosso lado. Pode-se aproveitar melhor, com dignidade e admiração, o mundão bonito que Deus fez.

O caminho, no seu ondear infatigável, chega aos vilarejos, amontado de casas que mantêm juntos pessoas num fim de mundo onde não tem quase nada da vida moderna, mas ainda existe muita amizade, fuxico e tranquilidade. Passa por arraias com bastante gente e chega a cidades animadas. Foi por eles, os caminhos de chão, que desmontamos em Paraty. A estrada dentro do Parque Nacional, proibida de ser asfaltada e nem sequer cuidada, ainda é um desafio para ciclistas, motoqueiros e motoristas. Crateras se abrem tentando engolir o caminho que impávido continua se desenrolando serra abaixo entrando e saindo de descomunais buracos.

Falam do mundo se findar, se partir em mil pedaços, talvez ainda este ano, mas esquecem que agora a Terra é toda costurada de caminhos e eles são persistentes e nunca vão se acabar.   

publicado por joseadal às 15:47
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