bikenauta

Dezembro 19 2012

Desculpem-me, vocês que são jovens, mas os velhos vivem de suas memórias, dos seus feitos que não se repetem mais. Por isso, me perdoem se rememoro coisas passadas, como daquela vez que fui com minha bike até Teresópolis subindo e descendo serras.

Foi num sábado, 15/12/2012, ainda me lembro como se fosse agora. O dia amanheceu bem encoberto depois de uma noite tempestuosa em que choveu tudo e mais um pouco. Saímos da pousada, eu e o colega Pedrão, com os corações ansiosos pelas aventuras que viveríamos nesse dia. Para sair de Paty de Alferes para o vale das Videiras, em Petrópolis, só subindo muito. Mas tinha opções: ou pegávamos a estrada de terra – melhor dizendo de barro puro – ou seguíamos pelo asfalto.

Num pedal com 350 km, como o Desafio Volta Redonda-Rio das Ostras, é preciso planejar cada dia. Traça-se a rota nos mapas da internet, verifica-se a dificuldade do caminho (subidas, travessias de riachos, trilhos perdidos nas matas, etc), decide-se onde almoçar e escolhe-se a pousada vendo fotos e preços pelo computador. Não ache graça, pois mesmo idoso já me aproveito das comunicações modernas. Neste trecho que estávamos a rota planejada era por estrada de chão por onde já havia passado vindo de um evento do Audax. Mas a decisão foi unanime: como nosso foco era chegar em Rio das Ostras, não precisávamos de mais dificuldades para o pedal ser melhor. E enfrentamos a serra numa subida íngreme em zig-zag.

Depois foi correr pelo vale margeado de plantações de tomate, a riqueza de Paty... ou sua pobreza. Porque os tomateiros jaziam carregados de tomates maduros apodrecendo. Me deu uma vontade tremenda de comer tomate com sal e paramos num pequeno bar. Pedimos bebidas geladas e peguei três tomates no balcão pedindo ao comerciante para pesar. Ele disse: não, isto é uma oferta da casa. Providenciou o sal e fiquei conversando com o filho dele, um lourinho, enquanto comia os tomates graúdos, com gosto. Perguntei pelos pés carregados e ele usou uma expressão triste da região: não deu preço. Significa que o que os atacadistas estavam pagando não valia o frete. Ficavam os tomates a apodrecer. Tocamos pra frente.

Numa subida lá vinham dois ciclistas voando. Quando deu para ver as feições deles, gritei: para tudo, aí! O amigo Pedrão se espantou. Eles frearam e dando a volta nos aproximamos das duas figuras. Eram os Sérgios de Paty. Dois colegas com o nome de Sérgio que conheci num pedal a Pedra do Imperador. Trocamos informações e nos despedimos. Lá foram eles com as bikes atoladas de lama. É a velha máxima do pessoal do mountain bike: para melhorar tem de piorar.

Subimos até o centro do Vale das Videiras... aí a pedalada virou turismo. Neste lugar, eminentemente frequentado por turistas esportivos endinheirados vindos do Rio ou Petrópolis, tem uma loja que serve lanches deliciosos, vende produtos de decoração, aluga bicicletas e providencia guia para trekking e bike e aplica massagens maravilhosas. Nós dois, embrutecidos ciclistas da roça só aproveitamos a comida e bebida e seguimos viagem. Melhor dizendo, trepamos por uma serra de responsa que não acabava mais.

Cachoeiras, conhecer novos amigos e subir sempre levou o resto da manhã. Mas depois, a recompensa, seis quilômetros de descida até Araras onde almoçamos como reis, ou segundo o lugar que estávamos, igual a D. Pedro, os dois. E daí saímos giboiando em cima das bikes pela BR 040 até Itaipava. Comprei uma luva nova e saímos do centro comercial chik porque a serra de Teresópolis nos chamava lá de longe.

Corremos satisfeitos até que São Pedro resolveu arrumar o céu e a água caiu. Esperamos numa casa de jardinagem e quando a chuva virou garoa subimos a serra do Capim. Falando assim até parece fácil: subimos a serra do Capim. Mas não, foi suuuubimoooos um aclive de 6° que não acaaaabavaaaa mais. O visual era lindo, e ponto. Mas não a bem que sempre dure e a longa subida virou uma descida de 8 km espetacular. Numa curva, lá estava Teresópolis.

Vocês, meninada nova, não tem ideia de como é bom ter aventuras como essa para recordar. 

publicado por joseadal às 10:48

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