bikenauta

Setembro 08 2013

Não se leva o corpo, sem a ajuda de motores, a 1.900 metros impunemente. O caminho para a nascente do rio Paraíba do Sul tem inclinações muito fortes, algumas até da para subir pedalando, outras só empurrando. (neste trecho estávamos a 900 metros, ainda subiríamos 1.000 metros)

Numa subida longa e íngreme, passa-se por dois estágios bem marcados. Primeiro o da euforia. O dia começa, a manhã está radiosa e a vontade de chegar lá no cume confere uma força irresistível. (com 65 anos Agnelo é brincalhão e estimula os jovens)

Depois, perto da hora do almoço, andamos por que não dá mais para pedalar. Então, com os bíceps, músculos das pernas, retesados de tanto empurrar os pedais, os tríceps, dos braços, hirtos de puxar o guidão sem descanso e o trapézio, dos ombros, doloridos, continuamos subindo, porque?

Então, o que nos move para adiante e para cima é o desafio. Contamos aos amigos que chegaríamos, neste domingo, 07/09/2013, ao alto da serra da Bocaina, a 1.900 metros, e não podemos desistir agora. Tiramos tempo de outras atividades para viver essa experiência de ver a nascente do rio Paraíba do Sul, lá no alto, então na dá para desistir. E o grupo avança empurrando os 10 quilos de cada bike morro acima.

O caminho da Asa Branca serpenteia pela encosta e o vale com seu mar de morros se esparrama aos pés da montanha. A cumeeira ainda está bem no alto, mas o grotão, o encontro entre dois morros e que é mais baixo, já está próximo. Então, o aclive termina, o terreno fica plano, montamos e pedalamos sentindo que os músculos que estamos usando agora são outros e estão descansados.

Estávamos avisados, chegando ao cume percorreríamos o terreno arenoso do altiplano. A vista é deslumbrante porque vemos despenhadeiros de um lado e de outro, da precária estrada. As intempéries que desgastam as pedras não o fazem igualmente. Assim, mesmo na crista da serra subimos e descemos os picos. A vastidão é impressionante e o ar é leve e puro.

O vento corre sem impedimento de árvores e solto acima da terra. A tarde avança rapidamente e nosso avanço é lento. O cansaço é visível tanto nos jovens quanto nos ciclista mais idosos. Mas onde estava a nascente?

A área pertence ao município de Areias, mas o acesso está em Silveiras, e nenhum dos dois se importa em colocar uma plaquinha de indicação. Um motociclista passa naquele ermo e nos indica que falta menos de um quilômetro. Mais um píncaro e vemos naquele terreno de vegetação rasteira e enfezada, um bosque bem regado por vários olhos de água que escorrem para o mesmo regato. Além, um banhado bem verde, mostra a fartura de água que vem... é, vem de onde, se já estamos acima de tudo? (foto do amigo Elder que mesmo esgotado estava sempre sorridente)

A volta é dolorida, mas aí somos movidos pela esperança de chegar lá embaixo, na vila, no restaurante do Sítio do Pinhal, para nos fortalecermos com a refeição gostosa feita por “dona” Marina.

Como a descida era agora o que predominava, enquanto levamos 3 horas e meia para subir, descemos em 50 minutos.

A noite caiu, o almoço virou jantar, mas estávamos cheios de alegria por termos alcançado nossa meta.  

publicado por joseadal às 23:41

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