bikenauta

Novembro 15 2013

Fomos pedalar por um caminho onde meu avô talvez tenha passado debruçado na janela de um trem. Subindo sempre, mas o terreno com uma inclinação necessária aos marias-fumaça de outrora, o grupo pedalava junto e conversava a vontade. Em certos locais o caminho passava espremido onde os construtores cortaram a rocha. Ao nosso lado direito nos flanqueava a serra da Beleza e ao esquerdo os vales do rio Preto se estendiam entre morros.

No meio da subida chegamos a velha estação que ‘seu’ Sebastião vem reformando com o vagar peculiar àquele lugar perdido na encosta da montanha.

Mas o caminho continuava e lá fomos nós. O amigo Valtair, em determinado momento, chamou-me atenção para uma pequena igreja Presbiteriana erguida em 1916. Disse ele que foi uma das primeiras do Brasil. Fiquei pensando como foi ela surgir naquele fim de mundo. Então, a encosta chega a um beco sem saída. Um imenso rochedo aflorou desde tempos imemoriais, e por ele não se pode passar.

Mas ali o caminho volta-se para a própria serra e passamos por um túnel aberto ainda no século 19. A escuridão é total com a luz da outra abertura parecendo uma lâmpada lá ao fundo. O piso sempre úmido está bem melhor do que de outra vez que passamos naquele negrume.

De novo sob a luz radiante do sol ainda pedalamos um bocado até chegar no asfalto novo que liga Santa Isabel do Rio Preto a Conservatória. Como o planejado era voltar pelo asfalto, despedi-me dos colegas e, com minha sombra calçada, peguei uma bela trilha de chão até Amparo.      

publicado por joseadal às 23:36

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