bikenauta

Maio 26 2012

Entre os que pedalaram por 1.145 km fazendo um grande circuito
pelo sul de Minas Gerais está Epifânio, o Peixe. Foi uma equipe de sete homens
que realizaram esta proeza pedalando e só parando para se alimentar e dormir, durante 14
dias. (hora do almoço em Piqueri, no segundo dia da viagem)

Cada pessoa é um universo, uma personalidade carregada de experiências e
com diversas facetas. Necessariamente para uma equipe dar certo precisa ter um
objetivo, seus membros ter paciência e empatia, e não serem muito parecidos.
Numa equipe, quanto mais diferentes melhor. (em Conservatória, ainda no primeiro dia)

Peixe me faz lembrar o mestre do futebol, Nilton Santos. Quem
o viu jogar dizia que ele era o maestro da equipe. Dominando o meio de campo e
tendo uma visão total dos colegas espalhados pelo gramado ele percebia que jogada
ensaiada era a ideal para o momento e lançava a bola com uma precisão
espetacular. Epifânio é assim. Não é de muito falar e pedala bem forte, mas não
se esquece dos companheiros e ora está lá na frente se distraindo com a
paisagem e ao lado dos líderes naquele momento, ora está lá a trás dando apoio
a um colega cansado, com os músculos em frangalhos, pedindo descanso e
alimento. Peixe joga para o time. (lugarejo pequeno por onde passamos no terceiro dia, um domingo ensolarado)

Sua tranquilidade é como uma onda de energia boa que flutua
em volta de si até alcançar cada indivíduo do grupo. Como não demonstra cansaço
ou negativismo quando se posiciona ao lado de alguém, mesmo sem falar, passa
conforto e ânimo. O gostar dos outros, nele, não se expressa tanto em palavras,
quanto em ações, olhar e presença amiga. Dias e dias vencendo uma centena de
quilômetros da manhã até a tarde, e usando só a força do próprio corpo esgotado
faz o homem mais determinado se condoer de si mesmo. Então, é importante ter ao nosso lado, como parte da
equipe, aquela criatura que não reclama, que está sempre sorrindo e que distribui 

palavras de afeto e compreensão. Este é o amigo Peixe. (fotos de João Bosco)

Se ele viveu em Assis, na Itália, por volta de 1200 com certeza estava no grupo do irmão Francisco,

fez parte daquela caravana de frades e andava com eles por longas distâncias.
Também tenho convicção que o pobrezinho de Assis, num momento em que
descansavam todos da caminhada, diria de Peixe: ‘Meu irmão Epifâncio, você é um
instrumento de Deus entre nós, pois onde aparece uma discórdia trazes a paz e a
união e quando surge o desespero trazes a esperança. Há uma amigo melhor do que
esse?   

publicado por joseadal às 13:21

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